Trabalho de Conclusão de Curso

Visitas a campo

Nesta parte do trabalho constam as experiências mais importantes vivenciadas durante as visitas a campo. Buscarei expor o texto de forma mais lúdica, pois acredito que seja a forma mais correta para levar ao leitor os sentimentos vivenciados.

Preparação para os primeiros registros fotográficos.

O primeiro dia…

A uns 10 quilômetros de distância do Centro de Vila Velha, ele parece emergir da extensa faixa de areia como um companheiro eterno do Morro da Concha. O Rio Jucu, tímido em sua foz, mostra-se estrondoso a poucos metros de seu encontro com o Oceano Atlântico e expõe um volume de águas espetacular, que desce da nascente, na Serra do Castelo, em Domingos Martins, até desaguar nas praias de Vila Velha. Um percurso de aproximadamente 90 quilômetros.

O Rio Jucu possui uma variada vegetação em toda sua extensão, mas, infelizmente, a margem está tomada por pastos. O contraste é sempre brusco. Logo após se encantar com a magnitude e beleza de uma árvore, provavelmente, secular, o observador maravilhado é obrigado a se estarrecer com o desrespeito a natureza nos muitos espaços degradados para que se estendesse o tapete verde que alimenta o gado da região.

Garça do Rio Jucu

Foz

Na foz do Rio fica a Barra do Jucu. Não é mais do que esperado que o local, no passado uma pequena vila de pescadores, tenha músicas, poemas e muitas outras formas de arte associadas a ela. O pequeno balneário de Vila Velha é ponto de encontro de intelectuais capixabas. As pequenas ruas sem calçamento encantam e seduzem os visitantes que trazem características boemias às noites do bairro.

Foz do Rio Jucu vista de cima do Morro da Concha

A fama do local se faz também no meio esportivo, pois a praia é utilizada para a prática de surf e bodyboard. Além disso, oferece o empolgante ritmo de tradicionais bandas de congo e boa culinária à base de peixes e de frutos do mar. O congo, por sinal vale ressaltar, é um estilo musical herdado de índios e negros. O som entoado é parte integrante da cultura popular capixaba e utiliza instrumentos musicais bem peculiares, como a casaca.

As margens da Barra e na foz do Rio fica o Morro da Concha. Elevando-se do oceano a uma altitude desconhecida das profundezas daquela turbulenta região de encontro do Rio com o mar, o Morro se exibe dividido em três cumes. Entre as elevações encontra-se outra agradável surpresa, a Praia da Concha. São 70 metros de areia escondidos no Morro da Concha. Não possui ondas e é mais propícia ao mergulho. Lá estão algumas barracas de pescadores que ali deixam seus barcos e redes.

Morro da Concha e o encontro da mar com o rio

O Morro da Concha foi cenário de muitas histórias. Uma delas, contada pelo artista plástico Kleber Galvêas, morador da Barra do Jucu, mostra-se muito curiosa. “O francês Charles Baffet, nos anos 1960, veio para o Espírito Santo como diretor da companhia de navegação Delta Line e adquiriu a Pedra da Concha, que no passado era uma ilha e fica no mesmo paralelo que a ilha da Trindade. Ele defendia a tese que o tesouro muito procurado por diversos aventureiros na Ilha da Trindade na verdade estaria no Morro da Concha. Usando operários que cavavam, fotos com infravermelho, detector seletivo de metais, bombas de água e trator, procurou o tesouro por 22 anos, Segundo me disse encontrou apenas cachimbos, fragmentos de louças, poucas moedas de cobre e talheres de prata. Pouco antes de falecer vendeu o Morro da Concha para a família Vivacqua e virou pintor.”

É claramente possível se perceber que há uma rica historia já neste pequeno trecho que compõe a Bacia do Rio. Entretanto, a história dessa descomunal massa corrente de água é, logicamente, muito mais rica e antiga que isso. O Rio Jucu recebeu esse nome por meio dos índios que habitavam a região, jucu é uma árvore de canela, abundante no passado ao longo de suas margens. Serviu às primeiras investigações do sertão capixaba, nos primórdios da história capixaba. Foi por ele que ocorreu o desbravamento do interior dos municípios de Vila Velha, Cariacica e Viana. No período do Brasil colônia, a Coroa Portuguesa bloqueou as estradas e proibiu a construção de novas vias. Buscava com isso evitar o contrabando das riquezas das Minas Gerais pela Capitania do Espírito Santo. A utilização dos rios como forma de locomoção foi a alternativa encontrada pelos habitantes da época. Por estas e outras razões, segundo antigos ribeirinhos da região, o Rio Jucu era movimentado como uma grande avenida.

Subida do Rio

Embarcação utilizada para subir o rio

Para contar um pouco dessa riquíssima história e se inserir em mais uma das histórias do Jucu, embarco em um pequeno barco nas cores azul e branco para a expedição fotográfica inaugural. Após muita insistência do experiente pescador, convertido naquele dia em amigável guia, o motor da embarcação, que teimava não funcionar, deu o ar da graça e foi lentamente se aquecendo até trabalhar com perfeição. Subimos a bordo aos pés da Ponte da Madalena, com certa dificuldade, mas felizmente sem nenhuma surpresa desagradável, e seguimos viagem.

Lá cruzamos as águas por entre árvores. Logo nos deparamos com a ocupação das margens por diversas pessoas, alguns com muitas, mas muitas mesmo, varas de pescar. E essa é a cena mais comum na beira do Jucu. Navega-se por alguns metros e basta olhar com um pouco mais de atenção para o meio da mata e lá você verá um pescador, junto ao galho de árvore ou sentado à espera paciente do tão aguardo peixe. E ele virá. Apesar da degradação, o Rio possui abundante vida, a todo o momento um peixe pulava sorrateiro e rompia a tranquilidade daquelas águas, distorcendo o céu refletido como num espelho.

Pescador e guia, Wellington Rodrigues, durante a expedição fotográfica

Infelizmente, mais numeroso que os pescadores é o lixo que se encontra na margem do Jucu. Vemos inclusive muitos objetos presos em galhos altos, que com as cheias do Rio são arrastados e vão parar em partes mais elevadas, poluindo a vegetação e até confundindo um observador menos atencioso. Algumas formas de lixo parecem até fazer parte da flora local.

Algo que chama a atenção, até mesmo do menos atencioso observador, é o crime ambiental praticado fora da Reserva de Jacarenema. O agronegócio vem dominado o solo que guarda a massa de água, destruiu-se a mata ciliar originária do local. Os pastos constituem hoje a flora predominante nas margens do Jucu e o gado a fauna.

Lixo bóia nas águas do rio

Nosso caminho é interrompido por uma barragem, repleta de pedras e de grande beleza. Ela serve para abastecimento de água da Grande Vitória e mostra uma das muitas utilidades do Rio para nós. Além de abastecimento residencial, ele se destaca na geração de energia elétrica, desenvolvimento industrial, irrigação de lavouras, turismo e pesca.

Barragem para captação de água

Consciência e degradação

A população ribeirinha tem plena consciência da importância do Rio e o deixa entrar por suas vidas adentro. A invejável preocupação ambiental coletiva deles é perceptível a qualquer um. Eles possuem tão elevado grau de envolvimento com o Rio que sua preservação aparenta ser um objeto de obstinação daquele povo e esse sentimento se propagou por toda a sociedade capixaba. O amor por aquelas águas é tão contagiante que resultou num evento anual, que já se configurou como o maior de caráter ecológico no Estado, a Descida do Rio Jucu. No ano de 2010, o evento completou 21 anos de tradição. Com a força que parecem absorver do Rio, os participantes, buscam sensibilizar a população sobre a importância da preservação, conservação e recuperação daquele importante recurso hídrico.

Crianças pescam a beira do rio

O Rio Jucu é responsável pela maior parte do abastecimento de água da população da Grande Vitória, aproximadamente 60%. O Rio abastece Vila Velha, Viana, a maior parte de Cariacica e a toda a ilha de Vitória (a parte continental da capital é abastecida pelo rio Santa Maria). Apesar de sua indiscutível importância, a degradação em diversos trechos é visível.

O desmatamento da mata ciliar é a grande responsável pelo assoreamento. Essa vegetação que fica nas margens do Jucu é importante para fixar a terra. Sem ela, especialmente quando a chuva cai, o solo se desprende com facilidade e desce pelo leito, tornando-o cada dia mais raso e com um volume menor de água. Antes muito profundo, hoje é possível, em alguns pontos do leito, caminhar com água passando abaixo do joelho. A Legislação exige que sejam preservados pelo menos 30 metros de cada lado da margem, mas na maioria das propriedades ao longo do Rio vê-se que não há respeito nem a 30 centímetros. Outro crescente problema é o esgoto, cuja correnteza parece de forma incessante tentar retirar do Rio. No entanto, a grande quantidade de detritos jogados nas águas se mostra forte e destrói a biodiversidade local.

Fazenda que ocupa margem do rio

Fazenda que ocupa margem do rio

O Artista do Jucu

Por cima e pelo meio das frestas do baixo portão de madeira vemos um jardim. Mas não é um jardim comum, desses que vemos nas praças. Este é território da desordem. A bagunça reina soberana, ao menos é o que aparenta. Ao fundo, uma pequena residência se emoldura por entre uma passagem que há naquela mata-jardim. Tocamos a campainha e somos recebidos por um simpático senhor de cabelos brancos. Seu nome: Kleber Galvêas.

Depois de rápida apresentação, ele, um dos mais importantes artistas plásticos capixabas, nos convida para seguir portão adentro, no entanto, mal pisamos no interior do quintal, ele nos pede para parar. Descobrimos ali o por quê de toda aquela área verde em frente a casa. Galvêas inicia uma aula de botânica, apresenta-nos espécies de árvores e da vegetação de restinga que ele preserva ali, naquele rico jardim de sua casa-ateliê.

Kleber Galvêas em seu atelier ao lado de obras que retratam o Rio

A árvore que mais nos chama a atenção é a de nome jucu. É uma árvore de caule longo, com madeira de cor clara, abundante no passado ao longo das margens do Rio Jucu. “Muito provavelmente o Rio Jucu tem esse nome por causa dessa árvore aqui”, diz o artista apontando para a árvore. Devido a forma alongada do caule, ela serviu para construção civil, na escora de lajes. A cor, próxima do branco, e a maciez da madeira fizeram com que fosse muito utilizada na indústria de calçados, como matéria-prima para tamancos. Por isso, a espécie se encontra quase extinta na natureza. O jardim se completa com muitas bromélias e cipós.

Na entrada do ateliê, Galvêas nos conta que serve de espaço para expor sua arte é a última construção primitiva de pescadores, ainda preservada, na Barra do Jucu. Lá dentro, inicia-se outra aula, desta vez sobre arte. Ele nos insere em seu mundo feito de pinceladas. Fala da história e os significados de cada uma das pinturas penduradas nas paredes do local, com as obras que circulam pelas variadas escolas artísticas, do impressionismo, ao expressionismo, indo até o abstracionismo.

Kleber Galvês tem 62 anos, em dezembro aumenta essa conta. Nasceu em Divisa, atual Dores do Rio Preto, região capixaba do Caparaó. Depois de perambular coma família por algumas cidades como São Mateus e Rio de Janeiro, ele chega à Prainha, em Vila Velha. Aos sete anos descobre a Barra do Jucu. “Minha família veio fazer um churrasco na Barra. Eu me lembro que eles, para manterem as bebidas geladas, colocavam tudo dentro do Rio Jucu. E, foi diante Dele que jurei que, quando me casasse, viria morar neste lugar”, conta. O local da inocente promessa foi um riacho que passava ao lado do Morro da Concha.

Apesar de muito jovem, já nesta época, começa a receber da mãe as primeiras orientações sobre pintura. Mais tarde, no colégio Marista, tem aulas de desenho, como disciplina à parte, desde o início dos estudos. E, aos 15 anos, passa a frequentar o ateliê de seu grande mestre, Homero Massena.

Obra de arte de Kleber Galvêas que expõe o Rio

Kleber Galvêas viaja pelo mundo. Conhece a arte da Inglaterra, Holanda, França, Espanha, Argélia, Marrocos e Portugal. Volta para o Brasil e cursa Economia e Licenciatura em Ciências na Universidade Federal do Espírito Santo. Não segue essas carreiras. A pintura ferve em suas veias e decide se tornar pintor.

Galvêas acompanha Massena até a morte, em 1974. Ano este muito marcante na vida do artista. Além do falecimento de Massena, ele lida com casamento, que também ocorre no ano de 74, mas antes do falecimento do amigo. Casa-se com Anita Bonadiman, tendo Homero Massena como padrinho, e cumpre sua promessa infantil: passa a residir na Barra do Jucu.

A nova morada de Galvêas é uma singela casa de pescador, a mesma que hoje abriga sua obra. Do casamento nasceram três filhos barrenses: Homero, Augusto e Alexandre. Eles aparentam carregar nos genes o mesmo amor que o pai sente pela terra. “O Homero escreveu um livro sobre a Barra do Jucu. Tenho aqui”, ele nos diz, enquanto aponta para uma prateleira logo na entrada do ateliê.

A legado de Kleber não se resume às arte, ou aos filhos que criou, ele extrapola tudo isso. Seu trabalho tem forte cunho social e ambiental. Em suas obras são claras as referências a defesa da preservação da natureza, em especial a que cerca a Barra do Jucu. É Possível ver nas pinturas a preocupação em registrar o mundo, antes que as modificações cheguem. Antes que o tempo leve a beleza e a simplicidade, acabando com tudo aquilo.

Em nossa conversa dentro da casa-ateliê conhecemos um grande defensor das belezas do Rio Jucu. A paisagem, com toda flora proveniente da restinga, a composição étnico-hitória e a arquitetura do local onde reside o fascinam. Ele nos mostra um dos quadros no qual retrata a natureza. Expõe toda a variação tonal que há em uma simples folha. Faz com que a gente compare as folhas da pintura, com a que se vê no jardim de seu quintal. “Para se conseguir toda essa variação das cores são necessárias mais de 10 camadas de tinta”, afirma, mostrando toda sua paixão pela arte e pela natureza.

Continua a nos levar pela residência. Aponta para a parede e conta que um desenho na parede foi feito por Homero Massena. A arte é uma borboleta sertaneja. Galvêas mostra aquele pedaço de parede como se fosse a sua mais importante posse. Aquela que sente mais orgulho.

Antes de irmos embora, o artista chama nossa atenção para exibir três pinturas de significado especial. De óleo sobre cal, que também foram pintadas pelo seu mestre, aos 89 anos, pouco antes de sua morte. “Dá para perceber o contorno desse pássaro aqui? O Homero chegou a desenhar, mas antes de pintar se sentiu mal e teve que interromper a pintura, logo depois ele morreu”, lamenta.

O andarilho da Barra

Os cumprimentos são muitos, chama a atenção ao passar. Com roupas simples e chinelo um tanto que surrados pelo tempo lá vem o Zé de Loira, personagem folclórico de Barra do Jucu. Hoje ele carrega numa das mãos uma sacola plástica com pouco peso, dessas azuis escuras de supermercado e na outra uma muleta pequena de ferro, mas que aparenta não precisar, com saúde invejável que exibe em suas caminhadas diárias sob sol escaldante. Também conhecido como o Andarilho da Barra é do ano de 1937, “dia de Nossa Senhora de Vitória”, conta.

Seu Zé de Loira em uma de suas caminhadas diárias

Seu Zé de Loira conta sobre suas histórias, “ai meu Deus, o tempo passa. Só me resta a recordação das coisas”. Teve meia dúzia de filhos e três loiras em sua história. Todos são da primeira. Não era pescador profissional, mas teve sua história marcada pelo Rio, de onde tirou seu sustento, de uma forma inusitada. Trabalhou por muito tempo para a prefeitura de Vila Velha como vigia de estrada, quando não existia a Rodovia do Sol, e a pista passava por dentro do bairro. Seu ponto de trabalho foi justamente sobre o Rio: a tradicional Ponte da Madalena. Ele conta que era toda de madeira, e a memória lúcida traz as imagens de episódios marcantes. Como de suas experiências como pescador durante o expediente de trabalho. “Pegava cada peixe (Carel) assim, desse tamanho”, e aponta para a altura dos joelhos. Ele complementa sua fala contando que no Rio era possível pegar muito peixe e muito sururu. Já pegou Raia, Carel, e outras dezenas de nomes que não consegui anotar.

Ponte da Madalena

Um dos fatos que mais marcaram sua relação com o Rio foi uma grande enchente ocorrida na década de 1960. “A enchente de 60 alagou isso tudo aqui. Ficou tudo debaixo d’água. Lá pra cima do Rio é que trouxe muitos prejuízos para as pessoas”, conta. Foi nesse período que Zé de Loira chegou às redondezas do Jucu vindo da Barra do Riacho, também no Espírito Santo. Ele refaz percursos da vida e com orgulho relembra outras paisagens. Até onde a água do Rio vinha, onde ainda não era estrada, “aqui era chão, ali era madeira, lá ficava o bar do Pedrinho”. Com tom de saudosismo na voz ele repete por algumas vezes, “o homem devora tudo que Deus deixou”. A caminhada prossegue, deixando rastros de passagem, cumprimenta a todos. “E aí, tá dando peixe?”. “Nada, tá fraco hoje”. Respondem para Zé os que jogam o anzol.

Bar das Madalenas

Ecoando a voz de Faustão, apresentador de programa dominical, encontro o Bar das Madalenas e seu proprietário: Joacir Rocha. Anos atrás, quando ainda não vendia bebidas, balas e salgadinhos chips no seu comércio ele trabalhava para reduzir o assoreamento do Rio Jucu. Manualmente, junto a outros homens garantiam o sustento fazendo a tiragem do excesso de areia do fundo do Rio.

Joacir e um amigo exibem um peixe pescado nas águas do Jucu

Um pouco distante da foz, Joacir fazia esse trabalho para uma empresa e também onde morava. Eram idos dos anos de 1960, época em que o primeiro dique da barra do Jucu, construído em Santa Mônica, rompeu-se ocasionando grandes inundações. “Perdi tudo em casa. O mar invadiu o Rio, salgou a areia”, conta.

Joacir conta com tristeza sobre a atual situação do Rio. “Está muito poluído o rio”. Sua lembrança traz a tona a beleza que ele não vê mais nas águas. “De primeiro esse rio aqui era cheio de curvas, fazia vários caracóis, daqui até o lado de lá. As águas subiam e acumulavam no brejo”.

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